domingo, 29 de março de 2015

Por que um blog com o título de Ação Católica?

Posted by Redação On 21:56

Para a primeira postagem optei por refletir sobre o título do blog. Interessante é que este não é o primeiro a usar este termo, pois há um outro um tanto quanto meio pré-Ação Católica do que propriamente Ação Católica na perspectiva da proposta iniciada no final do século XIX na Europa (Itália e Belgica) e no anos 20 do século passado no Brasil.

A Ação Católica foi o espaço priveligiado para o laicato assumir sua condição batismal de forma inovadora – interessante destacar que estamos falando da passagem do século XIX para o XX – onde o fenômeno da clerizalização e da hierarquização da Igreja ainda era muito forte.



Considero que a Ação Católica na Europa foi uma resposta que o laicato católico ofereceu para uma sociedade em processo de grandes transformações. Havia um sentimento e a busca favorável por caminhos novos onde o laicato era o ator principal. Também havia a preocupação de uma parte da Igreja – minoritária – em estar próxima do povo, dos trabalhadores operários e dos grupos sociais que viviam na invisibilidade social e eclesial.

No caso brasileiro, avalio que inicialmente a Ação Católica foi utilizada como forma de recuperação do diálogo entre sociedade e Igreja após 30 anos de decadência e distanciamento da hierarquia dos processos sócio-culturais que ocorriam na sociedade. Bispos envelhecidos e estrangeiros, comprometidos com a monarquia, contrários a laicidade do Estado ficaram no ostracismo de 1889 a até 1920. Porém, o contato da Ação Católica brasileira com o laicato europeu possibilitou avanços não esperados pela hierarquia a partir da década de 30 no Brasil.

Inicialmente a proposta tinha aparência de cristandade, porém as jovens lideranças em contato com a realidade do mundo operário, estudantil, universitário, político e cultural vão agregando novos projetos e utopias que possibilitam novos caminhos para o laicato católico. Da cristandade para a inculturação sócio-eclesial.

A duas possibilidades – cristandade e inculturação – promova um divisor de águas entre os membros da Ação Católica. Conforme avança a presença e a participação do laicato na vida social e eclesial novas leituras e metas são estabelecidas. Ocorrendo assim a divisão da segunda geração da Ação Católica: de um lado conservadores e tradicionalistas com destaque para a figura de Plínio Correa e de outro lado um campo mais progressista e renovador com lideranças como André Franco Montoro, Helena Iraci Junqueira e José Pinheiro Cortez.

Já nos anos 40 a Ação Católica consolida suas articulações em campos especializados de ação: juventude agrária (JAC), juventude estudantil e secundarista (JEC), a juventude indepentente ou paroquial (JIC), juventude operária (JOC) e a juventude universitária (JUC).

Das ações especializadas a JOC e a JUC vão conquistando seu protagonismo próprio e a autonomia institucional para melhor cumprir seus objetivos de inserção junto a realidade desta juventude.


Na próxima publicação vamos retomar a historia refletindo o papel do arcebispo do Rio de Janeiro Dom Sebastião Leme, o Centro Dom Vital e a Revista Ordem.

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