sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Um pacto dos discípulos de Jesus

Posted by Redação On 05:19

Capela das Catacumbas de Domitila, onde se firmou o Pacto
 das Catacumbas há 50 anos. Foto: Edson Silva/IP

Em Roma, nas proximidades do Vaticano, lideranças eclesiais de todos os continentes se encontram na Casa La Salle para comemorar, em comunhão com o Papa Francisco, os 50 anos do Concílio Vaticano II. A proposta é refletir o lema “Rumbo hacia uma Iglesia, inspirada en el Evangelio, para el mundo” e as atividades serão concluídas na festa de Cristo Rei na Praça de São Pedro.

É um encontro internacional que congrega a representação de 26 países, onde compartilhamos iniciativas e experiências. Nos últimos quatro anos também foram realizados debates, conferências, seminários, estudos que (re)apresentaram indicações pastorais, teológicas, eclesiais e sócio-políticas para que a Igreja retome a caminhada reformadora com base nos documentos conciliares na perspectiva proposta pelo papa São João XXIII.

Este é um momento oportuno para manifestar de forma comunitária e colegiadamente, como Povo de Deus, o apoio irrestrito as iniciativas reformadoras do Papa Francisco.

O tempo que vivemos é verdadeiramente um “kairós”, pois o Papa Francisco reabre perspectivas para que a Igreja em sua simplicidade, como comunidade de homens e mulheres, responda aos desafios complexos deste mundo a partir do Evangelho de Jesus Cristo.

Os problemas são muitos, porém há inúmeras experiências e sinais de esperanças em diferentes partes do mundo. São cristãos e cristãs, homens e mulheres de boa vontade, que sinalizam e constroem o Reino de Deus nestas realidades de abandono, pobreza, opressão e violência em geral.

Nestes dias as reflexões ocorrem entre dois grandes blocos: os desafios do mundo que questionam uma Igreja inspirada no Evangelho e uma Igreja inspirada no Evangelho para iluminar o mundo.

Os desafios do mundo nos levam a pensar sobre as questões da paz e da guerra; a busca por mediação de conflitos; a justiça social e a economia; a situação dos direitos humanos, a imigração, tráfico de pessoas; os temas sociais como família, sexualidade, gênero, LGBT; impacto entre as culturas e religiões. Neste bloco, destacam as ações de busca por paz com a presença e o apoio da Igreja e dos cristãos; o compromisso dos cristãos e da Igreja com as grandes causas e de modo especial com o meio ambiente.

Para iluminar o mundo a Igreja inspirada pelo Evangelho, tem a emergência de testemunhar sua caridade e esperança com a reforma da estrutura eclesiástica, reorganização e revisão dos ministérios, a igualdade de gênero, a importância das comunidades eclesiais de base, a autonomia do laicato católico, o diálogo intra-eclesial, o diálogo com as outas religiões e culturas e por fim a espiritualidade encarnada.

Neste encontro, faz-se memória do Pacto das Catacumbas e reafirma-se o compromisso de trazê-lo para o centro da vida eclesial a fim de cumprir sua mensagem evangélica de uma Igreja pobre, para os pobres e com os pobres, como tem sido indicado pela Papa Francisco. Os compromissos do Pacto das Catacumbas não estão restritos apenas aos ministros ordenados também são extensivos a todo Povo de Deus.

E ao final do encontro as lideranças eclesiais escreverão ao Papa Francisco afirmando:

“Nós, discípulos de Jesus, fiéis católicos, membros do Povo de Deus, reunidos em Roma em 22 de novembro de 2015 por ocasião do 50º aniversário do Concílio Vaticano II, conscientes dos desafios (...), sendo sensíveis aos sinais dos tempos (...), considerando a situação atual de nossa Igreja (...), conscientes do contratestemunho de alguns irmãos (...), reconhecendo nossas falhas e deficiências (...) nos comprometemos reorientar nosso mundo e trabalhar em favor da revitalização da Igreja (...).”

“E de volta aos nossos países, compartilharemos os compromissos com nossas comunidades, associações, paróquias, para que nos deem seu apoio e orações, e lhes convidaremos a que se unam para realizar estes compromissos (a versão final do texto será publicada somente no domingo)."

Neste contexto de um encontro eclesial, internacional e inter-cultural nos propomos na diversidade pastoral testemunhar o Evangelho de Jesus Cristo que vai ao encontro da pessoa humana e das suas necessidades.